
Música 1
PEGA TEU BOI
Cantada pelas mulheres do povoado de Vila Fernandes, zona rural de Arapiraca, Alagoas. Região de cultivo do fumo.
Até meados da década de 1960 era comum as trabalhadoras rurais se reunirem nos salões das fazendas de fumo para tirar os talos das folhas, cantando. Trabalho que durava uma noite toda e onde as mais variadas cantigas de roda de verso eram lembradas, amenizando assim a dura tarefa realizada.
Com a expansão da cultura do fumo, a partir da década de 1920, foram chegando por lá inúmeros trabalhadores, vindos de muitas regiões do nordeste, para se empregarem nas lavouras de fumo. Esses migrantes traziam na bagagem suas cantigas e costumes. Assim foi se formando um cancioneiro riquíssimo com influências das mais variadas regiões, do litoral ao sertão.
A cantiga “Pega teu boi” faz parte do universo sertanejo dos aboios, vaquejadas, onde o tema do boi é sempre reverenciado. O formato da cantiga nesse contexto é uma roda de verso, onde o refrão é fixo e os versos são improvisados, trazendo assuntos cotidianos, às vezes versos de amor lançados como forma de paquera, outras vezes versos que traziam notícias ou fofocas, funcionando como veículo de comunicação em um tempo onde não existia radio ou televisão.
Aprendi esse canto com um grupo de cantadeiras que conheci em 1999, na Vila Fernandes. Mulheres de Arapiraca, que apesar de não cantarem mais trabalhando, trazem nas memórias inúmeras cantigas desses tempos.
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Música 2
DEIXA O BOI BEBER
Nesta região do semiárido da Bahia, ainda hoje podemos encontrar grupos de trabalhadores que se organizam em mutirão para realizar trabalhos como forma de ajuda mútua, cada dia no roçado de um companheiro, seja para limpar, plantar, colher, descaroçar milho e feijão ou raspar mandioca.
Essa cantiga aprendi em Barrocas, durante o mutirão para realizar o descaroçamento do feijão, chamado de Bata do feijão onde, depois de colhido, o feijão seco é batido pelos homens, com porretes de madeira, para que saia da vagem. O canto ajuda a sincronizar e ditar o ritmo das batidas que são feitas simultaneamente por todos os trabalhadores envolvidos.
Após os homens baterem o feijão, as mulheres varrem e sopram os grãos para tirar o resíduo, utilizando uma peneira grande chamada de Urupemba ou Arupemba. A cantiga segue embalando a todos, transformando o momento em festa, celebração e ato de solidariedade, numa ação coletiva de divisão do alimento entre os moradores da comunidade.
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Música 3
SAUDADE MORENINHA
Esse canto faz parte do repertório da roda pisada, tradição que ainda está presente na região da Bacia do Jacuípe, Bahia.
São rodas realizadas principalmente por mulheres de alguns povoados da zona rural de Serra Preta e outras cidades do entorno. Sendo feitas em qualquer período do ano e na maior parte das vezes, de surpresa para a dona da casa, sendo chamada nessa ocasião de roda roubada.
Uma celebração da vida onde as participantes entrelaçam os braços, cantam e dançam juntas em círculos a noite toda.
Um ritual onde a música e a dança são os principais elementos e servem como um elo ancestral que fortalece os laços dos participantes, tendo como fundamento cantos responsoriais, ou seja, uma parte do grupo pergunta e a outra parte responde, indicando assim, a certeza de estarem conectados uns aos outros através da antiga cultura que os une.
Tudo indica que a roda pisada é sobrevivente dos costumes indígenas dos povos Payaiás, que por ali viveram. Na dança, a pisada é forte e marca o ritmo da cantiga, tendo algumas variações coreográficas conforme a melodia cantada.
Conheci essa música durante uma das rodas pisadas que participei na zona rural de Serra Preta.
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Músicas 4 e 5
MARINHEIRO ENCOSTA A BARCA e A MARÉ ENCHEU
Encontrei essas duas cantigas no livro “Canções folclóricas Brasileiras”, que reúne registros de professores bolsistas do INEP, feitas em campo na década de 1950.
As duas cantigas, que se uniram formando uma mesma peça, foram recolhidas no Espírito Santo pela professora Maria Penedo, que era uma das bolsistas envolvidas neste projeto.
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Música 6
EXCELÊNCIA do ABC
Excelências, ou Incelenças, são rezas cantada principalmente por vozes femininas com a intenção de encomendar a alma ou ajudar o morto na travessia, cumprindo a função ritual de entregar a alma do ente querido aos cuidados dos anjos e Santos. Esses ritos faziam parte do chamado catolicismo popular com origens no catolicismo lusitano da Idade Média.
Ainda podemos encontrar mulheres que cantam sentinelas, incelenças ou Benditos durante os velórios, em lugares bastante remotos onde a presença da igreja católica não se impôs à essas tradições populares, afastando o povo de suas raízes.
Em muitas regiões essas práticas foram severamente proibidas pela polícia, a mando das autoridades religiosas, causando um grande medo nas informantes, que muitas vezes se recusam a cantar.
A incelença ou excelência do ABC faz parte de uma recolha feita por Guerra Peixe no Alto de Santa Rosa, bairro da cidade de Caruaru, Pernambuco no ano de 1952.
(referências para o texto, artigo “Incelências: o povo canta seus mortos”, Manoel Henrique de Melo Santana)
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Música 7
ASHATAPI
Cantiga com caráter de cura espiritual do povo Mehinako, cantada quando alguém está doente na aldeia. Acreditam que a música tem o poder de espantar o espírito ruim que está na pessoa devolvendo a saúde a ela.
Aprendi com Kawakani Mehinako, mulher indígena da aldeia Mehinako que vive em São Paulo, onde realiza encontros culturais para divulgar as suas tradições.
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Músicas 8 e 9
JURITI E PIU PIU
A primeira cantiga, Juriti, conheci durante um encontro com trabalhadores rurais em Caxias, no Maranhão. É um antigo canto de mutirão usado para fazer a capina do roçado ou durante as plantações e colheitas. Canto que aparece hoje em dia na dança do Lili, expressão da cultura que foi herdada dos antepassados escravizados e que retrata a realidade da zona rural do município de Caxias.
A segunda canção, Piu piu, faz parte do cancioneiro popular da cidade de Serra Preta, Bahia, aparecendo nos momentos de trabalho e também de festa. Aprendi com os cantadores de chula do bairro de Cabaceiras, durante uma bata do milho, processo de descaroçamento das espigas, onde homens, embalados pelo ritmo da música que estão cantando, batem com pedaços de madeira nas espigas que estão no chão. Um dos poucos lugares do Brasil onde ainda cantam durante as batas do milho.
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Música 10
GALINHO DA LIMEIRA
Conheci esse coco com o Mestre Nelson Rosa, do povoado de Vila Fernandes, Arapiraca.
Na região era muito comum as comunidades da zona rural se reunirem para finalizar a construção de uma casa de taipa, e para o chão ficar bem apiladinho eles pisavam o barro dançando e cantando o coco. Uma reunião que muitas vezes durava a noite toda, unindo música, dança, improvisação de versos e transformando o trabalho em festa, estreitando os laços de solidariedade entre os habitantes do povoado.
Hoje em dia é muito raro encontrar quem ainda faça o trabalho da construção da casa dançando o coco, mas felizmente se transformou em uma tradição popular bastante conhecida como forma de apresentação artística, o que ocorreu também com o grupo de Mestre Nelson, garantido a sobrevivência dessa antiga tradição que, segundo o folclorista alagoano Aloísio Vilela, surgiu da atividade de quebra das castanhas de coco realizada nas reuniões de negros quilombolas em Palmares, Alagoas.
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Música 11
BOILÉ
Dança de pares, registrada por Marise Barbosa na comunidade Kalunga, Cavalcanti/ Goiás.
Cantiga secular do povo Kalunga, faz parte da memória de mestres e mestras habitantes da comunidade quilombola que fica nos vãos entre as serras dos municípios de Cavalcante, Monte Alegre eTeresina de Goiás. Povo africano, afro Brasileiro e indígena que criou um território próprio. Formado pela união de pessoas africanas, afro-brasileiras, indígenas de diferentes origens.
“O povo Kalunga se criou subvertendo as estruturas de exploração inerentes ao escravismo colonial. Criaram e sedimentaram entre fins do século XVII e início do século XVIII, um território quilombola. Construíram uma vida em liberdade para si, para as gerações que se seguiram, consolidando sua existência como povo.” (Marise Barbosa)
Segundo Marise, para brincar o Boilé, formam-se duas filas e cada qual fica em frente a seu par. Ao começar a música, o primeiro par vai à frente e se encontra no centro das filas e se tocam nas palmas da mão direita, ou enlaçam os braços. Em seguida, cada qual se volta para a fila tocando a palma da mão direita da pessoa a seu lado na fila. Gira novamente para o centro no sentido anti-horário, reencontra seu próprio par e toca novamente na sua mão direita. Os pares vão girando e dançando na direção do final da fila, alternando toques na palma da mão de seu par e da próxima pessoa da fila. A brincadeira segue até que todos tenham dançado, e voltam ao começo da fila para dançar de novo. Todos vão cantando o refrão e algumas pessoas vão jogando os versos.
(informações tiradas do livro “o que é o que é? Infâncias Kalunga”, de Marise Glória Barbosa
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Música 12
PAI MANÉ
Congada de Justinópolis/ Ribeirão das Neves, Minas Gerais.
Cantada pelo coral “Vozes de Campanhã”, formado por mulheres quilombolas da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, de Justinópolis, bairro de Ribeirão das Neves que fica na grande Belo Horizonte.
A Congada é uma manifestação cultural religiosa que envolve o canto, a dança, teatro e espiritualidade, criada por negros africanos no Brasil, como forma de continuar cultuando seus orixás, mas que para isso tiveram que adaptar e encontrar elementos da cultura e da religiosidade cristã, num sincretismo religioso, permitindo a aceitação deste ritual pela Igreja católica. Um manifestação de fé onde, batendo as caixas, os participantes cantam e dançam em louvor e agradecimento a Nossa Senhora do Rosário ou São Benedito, e também, muitas vezes lamentando o que passaram nos cativeiros.
Essa irmandade, fundada em 1919, mantêm-se como pilar de um catolicismo afro-brasileiro, com suas louvações, tambores e dança, constituindo uma matriz identitária de importância fundamental para a população afrodescendente e tendo sido um meio de sociabilização dos africanos e seus descendentes. As irmandades de negros se organizavam de maneira a abrigar africanos de uma mesma etnia, em sua grande maioria pertencentes ao ramo banto.
Além disso, as irmandades constituem um papel cultural importantíssimo, permitindo a organização e adaptação de elementos da cultura tradicional, trazida com os escravizados, revivendo, no caso das congadas, a coroação de reis e rainhas, denominados Reis Congos, e também a reverência aos ancestrais africanos espiritualizados, como os preto velhos. Esse ritual, de coroação dos Reis Negros, possibilitou a reconstrução simbólica com sua memória ancestral e com formas de organização social que haviam se perdido. Os reis coroados adquiriam a função de liderança dentro da comunidade.
(Referência de texto: Projeto Kizoomba)
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Música 13
MORENA SE ESSE BARCO VIRA
Congo do Espírito Santo
O congo é um dos maiores símbolos da identidade cultural do estado do Espírito Santo. Manifestação popular nascida com os negros escravizados que foram levados para trabalhar nos engenhos, nas lavouras e encontraram na música e na dança um jeito de não perder a ligação com sua ancestralidade, com as suas divindades. Sofrendo perseguição dos líderes da igreja católica para que se convertessem ao cristianismo, muitos africanos passaram a praticar exteriormente o cristianismo, mas oravam secretamente a seu próprio deus, deuses ou espíritos ancestrais. Encontrando semelhanças em santos católicos, com sua própria religião, frequentemente, escondiam os símbolos sagrados de suas divindades dentro de seus santos católicos correspondentes. Assim, através do sincretismo religioso, elegeram santos que representassem os seus e São Benedito e Nossa Senhora da Penha foram os principais escolhidos.
São inúmeros os grupos de Congos espalhados por todo o estado do Espirito Santo, sendo reconhecida em 2014 como Patrimônio imaterial do estado.
Em 2023 tive a oportunidade de visitar Jamilda, diretora da Banda de Congo Panela de Barro no bairro Goiabeiras, em Vitória. visita conheci o congo “Morena se esse barco vira”, na belíssima voz do mestre Valdemiro Sales, também mestre artesão de casacas, figura de grande importância na cultura Capixaba.
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Música 14
ME DÁ TEU REMO
Coco do Rio Grande do Norte registrado por Mario de Andrade no livro “Os cocos”.
Uma das formas musicais da tradição rural que mais encantou Mario de Andrade, foram os cocos.
São muitas as variações e nomenclaturas dos cocos encontrados pelo Nordeste por Mario de Andrade e registrados por ele. Me dá teu remo é um coco chamado “coco de embolada”, que é um dos estilos mais conhecidos. Segundo Mário, a embolada não é propriamente uma forma musical, mas antes de tudo um processo rítmico-melódico de construir as estrofes pelos repentistas e cantadores nordestinos.
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Música 15
AZURU
Cantiga sagrada do povo indígena Guajajara, da aldeia Maracanã, Rio de Janeiro, cantada em Tupi.
Um canto que fala sobre o bonito vôo do papagaio, o Azuru e sobre o poder do cocar feito com as suas penas entrelaçadas.
Aprendi com o líder da aldeia marakanã, o cacique Urutau Guajajara, que ministra um curso de cantigas de seu povo através da Universidade Indígena Aldeia Marakanã (Rio de Janeiro).
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Música 16
BOI BARROSO e OILARAI
Cantiga tradicional do RIO GRANDE DO SUL e Canto de trabalho na roça registrado por Renata Mattar em Santo Antônio da Patrulha, RS.
BOI BARROSO – cantiga tradicional do Rio Grande do Sul, faz parte do cancioneiro popular desse estado e podemos ouvir versões variadas com a temática do Boi Barroso, que é um personagem muito citado em canções populares. Encontrei essa versão na coletânea feita por Mario de Andrade, “As melodias do boi e outras peças”.
OILARAI - Cantada nos trabalhos de capinar terreno para plantio, os Oilarais são de tradição Açoriana. Chegaram através dos imigrantes Portugueses que aportaram em terras do Rio Grande do Sul, trazendo a cultura de trabalhar cantando na roça.
Aprendi em 2004, quando fui fazer registros para pesquisa de cantos de trabalho no Brasil, com a família de Orêncio Ramos, músicos/trabalhadores rurais em Santo Antônio da Patrulha, RS.
OILARAi é uma lembrança do primeiro repertório da Orquestra Brasileira de cantores cegos.
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Música 17
NA RODA DO SISSUÍ
Canto das fiandeiras de algodão, Tocoiós, Vale do Jequitinhonha.
Mulheres de pequenas comunidades espalhadas pelo Vale do Jequitinhonha como Tocoiós, cultivam e vivem do algodão. São mulheres quilombolas de saberes ancestrais que plantam algodão, colhem, tingem e o transformam em fios mantendo viva a tradição da fiação manual.
As fiandeiras de algodão do Vale do Jequitinhonha são guardiãs de conhecimentos transmitidos por suas mães e avós, que faziam as roupas da família com essas linhas fiadas por elas mesmas desde meninas.
Quando se encontram para fiar em mutirão, ainda hoje, é comum as mulheres cantarem, lembrando antigas melodias e improvisando versos que falam de amores, sobre a natureza, falam do próprio trabalho e também trazem notícias e boas fofocas.
Na roda do Sissuí é uma dessas cantigas e faz parte de um lindo filme, “A terra, o canto, as mulheres do Jequitinhonha, dirigido por Mariana Berutto, com imagens que foram gravadas pelas próprias mulheres moradoras das comunidades.
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Música 18
VOU PLANTAR CACAU
Cantiga do cacau, transmitida por Alvino dos Santos de Serra Preta, Bahia.
Aprendi essa cantiga com Alvino Mendes Dias, cantador e trabalhador rural de Cabaceiras, bairro de Serra Preta, Bahia. Apesar de ter a temática relacionada aos cantos de trabalho que aparecem na região do cultivo do cacau, sul da Bahia, esse canto está presente ainda hoje nas batas do feijão e do milho na região da Bacia do Jacuípe.
É comum que trabalhadores do litoral sul voltem para suas terras, no sertão, em períodos onde o clima seja favorável para a sobrevivência das lavouras, e com isso, levem cantos que são de outra região, como é o caso de Vou plantar cacau.
Os cantos de trabalho eram comuns nas várias etapas do cultivo do cacau, ajudando a ritmar o trabalho, sincronizar as tarefas e tornar no trabalho menos árduo.
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Música 19
SUBI NO MAIS ALTO MONTE
Fandango caiçara de Morro Seco, comunidade de Iguape. Vale do Ribeira, São Paulo.
O Fandango caiçara é uma manifestação da cultura popular brasileira da região do litoral sul de São Paulo e norte do Paraná. Um baile com dança e música, sendo esse do Morro Seco um Fandango de tamancos, com acompanhamento da rabeca, percussão, palmas e batidas dos pés com tamancos.
O Fandango sempre esteve vinculado a organização de mutirões, no roçado, nas colheitas, nas puxadas de redes ou na construção de benfeitoria onde o organizador oferecia como pagamento um fandango, espécie de baile com comida farta.
A cultura caiçara é fruto da miscigenação dos povos indígenas que ali habitavam com os portugueses que ali se instalaram e trouxeram sua cultura.
Segundo Mario de Andrade, “o fandango é dança espanhola de origem árabe, movimento ternário e andamento alegre. Em Portugal foi conhecido no século XVIII onde “cantar fandango” significa cantar de improviso, como nos nossos desafios”
.
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.
Música 20
EU PLANTEI UM PÉ DE ABÓBORA
Cantiga das mulheres plantadeiras do arroz, Sergipe.
Aprendi essa embolada com Dona Maria José Acácio Lima, em uma visita que fiz para conhecer mulheres que cantavam durante a colheita de arroz na roças que beiravam o Rio São Francisco na cidade de Propriá.
Dona Maria José, teve sua roça na beira do rio na cidade de Propriá, mas nasceu na aldeia Cariri Xocó, em Porto Real do Colégio, que fica do outro lado do Rio São Francisco. Guardou na memória muitas cantigas de trabalho que eram feitas pelo povo de lá, chamadas “rojões de roça” e outros cantos ligados aos rituais indígenas.
.
Renata Mattar é responsável pela pesquisa de repertório.