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Música 1

ACORDA ISAURA

 

O coco de roda, Acorda Isaura, era tradicionalmente cantado durante as tapagens das casas de taipa, na etapa final da construção. Nessa ocasião, a comunidade se reunia para aplainar ou alisar o piso de barro da casa, pisando coletivamente sobre o chão enquanto cantava e dançava o coco. O trabalho transformava-se em celebração, fortalecendo os laços comunitários e tornando mais leve a tarefa compartilhada.


Aprendi esse coco com Mestre Nelson Rosa no povoado de Vila Fernandes, zona rural de Arapiraca, Alagoas, onde a tradição dos cantos de trabalho permaneceu viva por muitas gerações. Ali, os cantos acompanhavam diversas atividades do cotidiano e constituíam uma importante forma de transmissão de saberes, memórias e modos de vida. Acorda Isaura é um desses cantos, que preserva a lembrança de um tempo em que trabalho, música e convivência comunitária aconteciam de forma inseparável.

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Música 2

ASAS DA BORBOLETA

 

Aprendi esse canto com os Cantadores de Chula de Serra Preta na Bahia, durante uma bata do milho, trabalho coletivo realizado para descaroçar as espigas.  Enquanto trabalham, os participantes cantam, sincronizando o ritmo do canto com as batidas fortes, feitas com os “porretes” para realizar a tarefa.

Mais do que acompanhar o ritmo do trabalho, a poesia desse canto revela uma das dimensões mais profundas dos cantos de trabalho: a capacidade de transportar o pensamento para além da dureza da lida. Em uma região marcada pela seca e pelas dificuldades da vida no semiárido, onde os mutirões e a solidariedade comunitária que eles representam, continuam sendo um ato de resistência muito forte.

Ao imaginar uma morada “nas asas da borboleta, nas penas do sabiá”, o trabalhador cria um território simbólico onde outras possibilidades de existência podem florescer. O canto permite que a subjetividade se manifeste e que o trabalho não reduza a pessoa apenas à sua função produtiva, humanizando o trabalho, preservando criatividade e dignidade daqueles que cantam enquanto constroem a vida em comunidade.

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Música 3

CANOEIRO LÁ NO MAR

 

Aprendi “canoeiro lá no mar” com Mestre Cirilo, trabalhador rural do Crato, que hoje em dia é mestre de Maneiro Pau e de Reisado, atuando em toda região como artista/educador.

Esse canto aparece nas rodas da brincadeira chamada “Maneiro Pau”, uma tradição popular típica da região do Cariri Cearense, onde os participantes batem ritmicamente bastões de madeira enquanto cantam e evoluem a dança em círculo.

 Segundo o mestre, que trabalhou nos engenhos de cana- de açúcar, o manejo dos bastões está relacionado aos movimentos do corte da cana, e seria realizado nos momentos de descanso dos trabalhadores, quando improvisavam versos e podiam se distrair da dura realidade do trabalho no canavial.

Mas, pela configuração, a dança também traz forte influência das antigas danças de bastões (ou danças dos Pauliteiros) trazidas pelos portugueses, que por sua vez, remonta a antigos rituais guerreiros da Grécia antiga e Roma. 

E, como acontece com as tradições populares, aqui no Brasil a dança foi se misturando, incorporando novos significados das vertentes culturais da região.

Curiosamente, a canção traz a figura do canoeiro e do mar, sugerindo uma origem relacionada a outros contextos de trabalho. É possível que seja um canto, surgido entre canoeiros, que viajou por diferentes territórios, chegando aos canaviais através dos deslocamentos dos próprios trabalhadores.

Sugeri aos cantores da orquestra criassem seus próprios versos, trazendo assim um contexto contemporâneo e próprio, que possa aproximar os espectadores da brincadeira, como costuma ser feito na tradição.

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Música 4

CHORA BOIADEIRO

 

Chora boiadeiro é uma cantiga tradicional de trabalho e de roda do Vale do Jequitinhonha que foi resgatada pelo pesquisador Frei Chico e pela artista plástica e pesquisadora Lira Marques em suas andanças pela região da cidade de Araçoaí.  A cantiga retrata aspectos da vida sertaneja, as lidas com a boiada e os sentimentos ligados à natureza presentes no cotidiano do povo do sertão.

Lira Marques e Frei Chico registraram inúmeras cantigas na região, percorrendo as zonas rurais e urbanas do Vale do Jequitinhonha a partir de 1970, quando Frei Chico passou a ouvir os causos e cantos de Dona Filó, a cozinheira da paróquia em que trabalhava. Ao sentir a riqueza da tradição oral da região, Frei Chico convida Lira Marques para documentar a cultura local e então passam a ouvir inúmeras narrativas e memórias de moradores da região.

Desse intenso trabalho de pesquisa e valorização da cultura popular nasceu o Coral dos Trovadores do Vale, iniciativa que contribuiu para a preservação e difusão do vasto repertório musical e poético do Vale do Jequitinhonha, mantendo viva uma importante herança da tradição oral brasileira.

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Música 5

QUEBRA GABIROBA

Quebra gabiroba, ou gabiraba é um canto tradicional presente em diferentes regiões do Brasil, com registros na Bahia, Alagoas e Minas Gerais. A canção faz referência à quebra da gabiroba- também conhecida como Guabiraba- fruto nativo amplamente presente no imaginário e nas práticas culturais de diversas comunidades rurais.

A versão aqui apresentada foi encontrada no registro das memórias das integrantes da “Banda de Congo Panela de Barro de Goiabeiras”, de Vitória/ES, importante referência da cultura popular capixaba. A cantiga também está associada à tradição do Congo do Espírito Santo, manifestação que reúne música, dança, religiosidade e celebração comunitária.

A Banda de Congo Panela de Barro de Goiabeiras representa um importante movimento de resistência, valorizando e preservando a herança cultural deixada pelos seus antepassados. Por meio do Congo, as integrantes passaram a reunir e registrar cantigas de roda, cantos da brincadeira do Boi Estrela, cantigas de Folias de Reis e toadas de congo.

No ano de 2023, em viagem de pesquisa pelo Espírito Santo, tive o privilégio de conhecer Jamilda Alves Rodrigues Bento, coordenadora da Banda e o mestre Valdemiro Santos. Nesse precioso encontro pude conhecer de perto a história do grupo e ter em mãos um valioso tesouro registrado por eles nesses anos de retomada do grupo, que surgiu inicialmente em 1938.

Para saber mais acesse imacultural.org.br/gr e assista a Websérie “Griôs de Goiabeiras”

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Música 6

PISAR NA LAMA

"Pisar na Lama" é uma cantiga das Catadoras de Mangaba da restinga sergipana. Conheci esse canto por meio do importante trabalho de pesquisa e registro realizado por Mary Barreto, que se dedicou à documentação desse rico patrimônio musical, contribuindo para que essas vozes e memórias não se percam. Seu trabalho deu origem a gravações que revelam a riqueza cultural das comunidades extrativistas de Sergipe.

As Catadoras de Mangaba são mulheres extrativistas que vivem nas áreas de restinga do litoral sergipano. Guardiãs de um profundo conhecimento sobre a natureza, preservam práticas tradicionais transmitidas de geração em geração. Em seu trabalho, coletam a mangaba e outros frutos da restinga, processam os alimentos e contribuem de forma decisiva para a renda de suas famílias e para a conservação desse ecossistema.

Essas mulheres são reconhecidas como verdadeiras griôs da restinga sergipana, pois guardam e transmitem histórias, cantigas, rezas, brincadeiras e saberes ancestrais. Seus cantos acompanham o trabalho, fortalecem os laços comunitários e preservam uma memória coletiva que continua viva nas rodas de canto e nas apresentações culturais. A cantiga "Pisar na Lama" faz parte desse precioso repertório, revelando como música, trabalho, natureza e tradição caminham juntos na vida dessas comunidades.

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Música 7

ADEUS RIACHO DA ONÇA

Aprendi essa cantiga com Isabel Cipriano dos Santos, trabalhadora rural e cantora no grupo das Destaladeiras de Fumo de Arapiraca.

É um canto que guarda memórias antigas, nascido das lembranças das grandes enchentes do rio Ipanema, quando muitas famílias perderam tudo e tiveram que deixar seu lugar. Como acontece na tradição popular, adaptei a letra do canto, acrescentando dois versos inspirados na dor e na saudade de quem tem que deixar sua terra e procurar outro lugar para viver.

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Música 8

QUE FOI À FONTE

“Que foi à fonte”, faz parte do repertório conhecido como Vissungos, cantos de resistência da tradição afro-brasileira de matriz Banto, entoados por pessoas escravizadas em São João da Chapada, Diamantina, MG, região do garimpo de diamantes.

Parte desse repertório foi registrado no livro “o Negro e o garimpo em Minas Gerais”, pelo professor e pesquisador Aires da Mata Machado Filho, que andando pela região com interesse em recolher esses “vissungos”, conheceu João Tameirão, que trazia na memória os cantos de trabalho outrora entoadas nos serviços da mineração e foi ensinando ao professor.

O canto “Que foi à fonte” remete ao ato de “secar água” para manter as minas secas. Na extração o trabalho era muito exaustivo e os escravizados precisavam lidar constantemente com a água que invadia os locais de escavação. Os cantos eram entoados na retirada das águas, no ato de coordenar um sistema de drenagem operado manualmente por um aparelho rudimentar chamado jangada.

Os Vissungos atuavam como uma forma de comunicação secreta não compreendida pelos patrões, que ajudavam na manutenção dos dialetos africanos, além de amenizarem o sofrimento e o peso do trabalho.

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Música 9

IAIÁ É HOJE

Aprendi essa música no povoado de Vila Fernandes, Arapiraca, Alagoas.

Estive pela primeira vez na região em 1999, para conhecer um grupo de trabalhadoras rurais que trazia ainda na memória os cantos de trabalho que acompanhavam a lida em torno da lavoura do fumo, principalmente na época de tirar os grandes talos das folhas, mas que também eram praticados em outros momentos das organizações comunitárias daquele lugar.

Quando cheguei lá, já não se cantava mais trabalhando, essa cultura foi desaparecendo com a chegada do rádio, tv e principalmente de indústrias que se instalaram na região trazendo mudanças drásticas nos modos de vida, como a proibição dos cantos nos mutirões e o uso de adubo químico para o aumento da produtividade do fumo, o que gerou inúmeras doenças em toda zona rural de Arapiraca.

As mulheres que conheci naquela visita, felizmente ainda traziam na memória esses cantos de outrora, e a partir daquele dia, formamos um grupo artístico que vem se apresentando em inúmeros palcos pelo Brasil, gravando álbuns e participando de documentários.

O grupo recebeu o nome de Destaladeiras de fumo de Arapiraca.

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Música 10

AS LAVADEIRAS

Encontrei a partitura desta cantiga no livro “A melodia do Boi e outras peças”, de Mario de Andrade, no capítulo chamado de Danças puras. O material para edição desse livro foi organizado pela musicóloga Oneyda Alvarenga, discipula do escritor, que concluiu o trabalho após a morte dele. Algumas partituras não trazem referências maiores sobre o canto, mas podemos deduzir que esta melodia seja parte do cancioneiro popular da cidade de Belém do Pará, provavelmente transmitido por lavadeiras que cantavam trabalhando.  Esta peça foi posteriormente incluída na Rapsódia número 2, de José Domingues Brandão, peça que ficou muito conhecida no Norte.

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Música 11

LAVADEIRA e CESSAR AREIA

LAVADEIRA
Em 2004, realizei uma pesquisa de campo na cidade de Jequitibá, Minas Gerais, junto às Cantadeiras do Souza, grupo formado por irmãs e primas de uma mesma família que preserva importante repertório da tradição oral da região. Entre as manifestações musicais por elas mantidas estão as chamadas Petições de chuva, um cortejo em que cantam Benditos, pedindo a chegada da chuva que beneficia as lavouras. O repertório do grupo inclui também cantigas de roda, cantos de lavadeiras, pastoril, e outras tradições.

Foi nesse encontro que aprendia a cantiga “Lavadeira”.

 

EU VOU CESSAR AREIA

 

A cantiga “Eu vou cessar areia”, das Lavadeiras de Almenara tem origem nos cantos entoados pelas mulheres que lavavam roupas às margens do Rio Jequitinhonha, na cidade de Almenara, Minas Gerais. O canto acompanhava o trabalho e fazia parte do cotidiano dessas mulheres.

 

A partir de 1991, o pesquisador e músico Carlos Farias reuniu antigas lavadeiras e criou o CORAL DAS LAVADEIRAS DE ALMENARA, com o objetivo de preservar e difundir esse patrimônio imaterial e formou o grupo que vem gravando diversos álbuns e se apresentando em importantes  palcos do Brasil e do mundo.

REP4MUS12

Música 12

Ô USINA

Ô Usina, é uma cantiga de trabalho coletada por Mário de Andrade, que encontrei no livro “As melodias do Boi e outras peças”, ela integra o conjunto de pesquisas etnográficas realizado por ele na região do nordeste do Brasil.

Assim como outros cantos de usina registrados em regiões açucareiras, essa cantiga embalava a dura rotina dos trabalhadores da cana de açúcar, servindo como fonte de resistência, comunicação e desabafo, que permitia esquecer um pouco a dor e as péssimas condições de trabalho enfrentadas por esses trabalhadores nos engenhos de açúcar.

 

Eu só canto devagar, cantiga de roda que aprendi com as Cantadeiras do Sisal na cidade de Valente, Bahia. 

 

Estive lá em 2023 para visitar um grupo de mulheres artesãs que vivem do artesanato feito com o sisal e mantém o costume de cantar quando estão em grupo realizando o trabalho de confecção de bolsas, tapetes, apoios de mesa e outros artesanatos.

 

A cidade de Valente fica na região da Bahia que concentra a maior produção de sisal do país, conhecida como um dos grandes centros produtivos da fibra que é, sem dúvida, a mais importante fonte de trabalho e sustendo de inúmeras famílias da região. Do cultivo e da colheita ao desfibramento, beneficiamento, comercialização e produção artesanal, o sisal movimenta uma extensa cadeia produtiva. Em meio a esse trabalho as mulheres são responsáveis pela manutenção da cultura tradicional, preservando saberes, técnicas e cantos que acompanham atividades coletivas.

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Música 13

JONGO- EU PLANTEI CAFÉ DE MEIA

(Jongo de São Luis do Paraitinga, SP, transmitido por Dona Maria José Martins de Oliveira, conhecida por Dona Mazé).
 

Dona Mazé é uma das grandes matriarcas e mestras do Jongo do Tamandaré, uma tradicional comunidade jongueira e quilombola localizada em Guaratinguetá, São Paulo.

 

O jongo é uma manifestação popular que envolve a dança, o canto, e a percussão de tambores sagrados. Manifestação que se desenvolveu nas fazendas de café e cana de açúcar do Sudeste brasileiro durante o período colonial e imperial. Nascido nas senzalas o Jongo se tornou uma forma de expressão social e espiritual dos trabalhadores escravizados nas lavouras da região do Vale do Paraíba, entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Era usado como meio de comunicação cifrado, só entendido entre os escravizados, assim criavam metáforas em português e em dialetos de línguas Bantu para combinar fugas, espalhar notícias importantes e ironizar os donos das fazendas.

A letra desse Jongo traz metáforas e fundamentos históricos sobre a pós abolição. O “café de meia”, refere-se ao sistema de parceria exploratória, nele, o trabalhador rural cultivava a terra de um latifundiário e, em teoria, metade ( a meia) do lucro da colheita pertencia a ele, enquanto a outra metade ia para o dono da fazenda, perpetuando a dependência e a submissão aos barões do café. Essa outra metade nunca vinha em dinheiro, já que os fazendeiros cobravam taxas abusivas por tudo e assim só iam acumulando dividas, ficando sempre presos à terra.

“O Jongo hoje em dia, na região do Vale do Paraíba, vive um momento de forte revitalização, articulação em rede e resistência urbana, deixando de ser uma prática restrita aos antigos cafezais para se consolidar como patrimônio vivo.

Reconhecido pelo IFHAN como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, o Jongo superou o risco de extinção que o ameaçava no final do século XX e mantém-se ativo através de apresentações culturais.”
 

(Fonte IberCultura Viva)

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Música 14

CANTO DA FORMIGA

“Canto do povo Kaingang que conta a felicidade da formiga ao ver a moça socando milho, pois poderá comer os farelos que caem do pilão e alimentar seus filhos durante o inverno.

Esse canto está entre os denominados para eles como os Cantos de Gufá, que inclui as cantigas dos bichos do mato, cantadas para as crianças.

 

São cantigas curtas que contam os movimentos e hábitos de animais como a formiga, paca, tatu-peludo, veado, anta, harpia, que mais do que animais, são espíritos da mata e integram a concepção mitológica desse povo. Segundo a antropóloga Ana Elisa Freitas, os velhos sábios aprendem os cantos com os animais desde a infância.

O povo Kaingang é uma das cinco etnias indígenas mais populosas do Brasil e soma quase toda a população dos povos de língua Jê. A população Kaingang se concentra especialmente no Sul do país.

Os Kaingang dão grande importância ao som, à palavra cantada ou falada, pois, para eles, tudo o que tem vida produz um som e o que não tem está morto. A natureza fala, os espíritos que nela habitam têm seus sons e, ao nomear uma criança, o xamã falará o nome dela repetidas vezes para que o som a mantenha forte”

 

Textos do livro Cantos da Floresta (para conhecer mais acesse cantosdafloresta.com.br)

REP4MUS15

Música 15

KAPULUKUMANRI

Aprendi essa cantiga com o cacique Maykuti, líder da aldeia Mehinako no Alto Xingú.

Essa música é um canto de ninar muito cantado por todos os povos indígenas na região do alto Xingú.

A letra desse canto fala sobre a antiga história de um macaco que ouvindo um bebê chorar enquanto sua mãe vai buscar água no rio, pega essa criança no colo para embalar. O macaco canta e dança e o bebê volta a dormir.

Na letra que o macaco cantou para esse bebê, ele fala que a mãe foi muito longe pegar água para ele.

REP4MUS16

Música 16

ADEUS MEU PESSOAL

O congo é um dos maiores símbolos da identidade cultural do estado do Espírito Santo. Manifestação popular nascida com os negros escravizados que foram levados para trabalhar nos engenhos, nas lavouras e encontraram na música e na dança um jeito de não perder a ligação com sua ancestralidade, com as suas divindades. Sofrendo perseguição dos líderes da igreja católica para que se convertessem ao cristianismo, muitos africanos passaram a praticar exteriormente a religião católica, mas oravam secretamente ao seu próprio deus, deuses ou espíritos ancestrais. Encontrando semelhanças em santos católicos, com sua própria religião, frequentemente escondiam os símbolos sagrados de suas divindades dentro de seus santos católicos correspondentes. Assim, através do sincretismo religioso, elegeram santos que representassem os seus, como São Benedito e Nossa Senhora da Penha.

São inúmeros os grupos de Congos espalhados por todo o Espirito Santo, sendo essa tradição, reconhecida em 2014 como Patrimônio imaterial do estado.

Em 2023 tive a oportunidade de visitar Jamilda Bento, diretora da Banda de Congo Panela de Barro no bairro de Goiabeiras, em Vitória.  Através dela conheci o congo, “Adeus meu pessoal”, cantiga de despedia nas apresentações do grupo , que foi gravada em cd pela Banda Panela de Barro.

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A 1ª edição da Orquestra Brasileira de Cantores Cegos contou com o apoio cultural do Grupo Energisa e o patrocínio da ES Gás com recursos da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba LICC. A 2a edição contou com o patrocínio da Rede Itaú, Perfil Alumínio do Brasil e Decolores com recursos da Lei Rouanet. A 3a edição contou com o patrocínio da EDP Distribuidora de Energia Elétrica do Espírito Santo com recursos da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba LICC.

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